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Publicação de produtora musical sugeriu ligação entre desaparecimento de funcionário e morte do funkeiro em 2021; até o momento, não há evidências que sustentem a hipótese

SÃO PAULO — A Polícia Civil investiga se as mortes de homens ligados ao cenário do funk e do rap em São Paulo têm relação com postagens publicadas nas redes sociais que mencionavam o caso do cantor MC Kevin, que morreu em 2021 após cair da varanda de um hotel no Rio de Janeiro.

A apuração ocorre após a descoberta de quatro corpos enterrados em um cemitério clandestino em Heliópolis, na Zona Sul da capital. Até o momento, a polícia identificou duas das vítimas: o cantor de funk Jonas Barros de Oliveira, conhecido como MC GG e “Gigante”, de 25 anos, e Francisco Rubens Souza Cruz, de 46 anos.

A postagem que chamou atenção

Segundo as investigações, uma publicação feita pela produtora DamassaClan nas redes sociais afirma que o funcionário Werlen Moitinho Vieira foi “assassinado de forma cruel”. A postagem sugere uma relação entre o caso e a morte de MC Kevin.

“Nosso funcionário Werlen foi assassinado neste final de semana cruelmente enforcado e com um tiro na cabeça! Descobrimos quem matou Kevin, agora começaram a matar a gente!”, diz o texto.

Werlen está desaparecido. A família dele reconheceu as roupas encontradas em um dos corpos localizados no cemitério clandestino, mas exames periciais ainda serão realizados para confirmar oficialmente a identidade.

A publicação foi apagada pouco tempo depois. Segundo os investigadores, o conteúdo passou a integrar as linhas de investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que tenta descobrir a motivação das mortes.

Até o momento, a Polícia Civil afirma não ter encontrado elementos que comprovem nenhuma ligação entre a morte do funkeiro e os crimes investigados em Heliópolis.

Quem era MC GG

Jonas Barros de Oliveira, conhecido artisticamente como “Gigante” e MC GG, tinha 25 anos, morava em Heliópolis e construía carreira no funk havia pelo menos sete anos. O cantor foi identificado pela Polícia Civil como uma das vítimas encontradas enterradas no cemitério clandestino descoberto na última segunda-feira (25) em uma área de proteção ambiental utilizada pela Sabesp, próxima aos chamados “prédios redondos”, na região de Cidade Nova Heliópolis.

Segundo pessoas próximas, Jonas buscava uma oportunidade na produtora musical DamassaClan havia cerca de quatro meses. Apesar da aproximação, ele não trabalhava oficialmente para o grupo.

Ao longo da carreira, MC GG gravou videoclipes por produtoras da periferia paulistana e chegou a cantar com artistas conhecidos do cenário do funk.

As vítimas

Além de MC GG, foi identificado o corpo de Francisco Rubens Souza Cruz, de 46 anos. Um terceiro homem desaparecido, Werlen Moitinho Vieira, também é investigado no caso. A família reconheceu as roupas dele, mas exames ainda serão feitos para confirmar oficialmente a identidade.

Segundo a investigação, Werlen e Rubens trabalhavam para a DamassaClan, movimento ligado ao rap e ao funk em São Paulo.

A família do cantor procurou a polícia na semana passada após o desaparecimento dele. O corpo de Jonas foi identificado entre quatro encontrados enterrados em uma área de mata na Rua Anísio Spínola Teixeira, em Heliópolis.

O quarto corpo

Ainda segundo a investigação, o quarto corpo encontrado no cemitério clandestino apresentava estado de decomposição mais avançado e sinais de que estava enterrado no local havia mais tempo do que os outros três. Por isso, a Polícia Civil trabalha inicialmente com a hipótese de que essa morte não tenha relação com os desaparecimentos de Jonas, Rubens e Werlen. A identidade dessa quarta vítima ainda não foi confirmada.

Descoberta do cemitério clandestino

O cemitério clandestino foi descoberto na segunda-feira (25), quando guardas civis metropolitanos faziam patrulhamento ambiental em uma área de mata usada pela Sabesp. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes encontraram trilhas abertas no mato e pontos com terra remexida coberta por vegetação. Nos locais, havia pedras grandes sobre as covas.

Inicialmente, três corpos foram encontrados, todos enrolados em panos e amarrados com fitas adesivas. No dia seguinte, equipes da Polícia Civil localizaram um quarto corpo em estado mais avançado de decomposição.

Hipóteses da polícia

Pela forma como os corpos foram encontrados, pelos sinais de violência e pela existência de um cemitério clandestino na região, a polícia trabalha com a hipótese de execução ligada ao crime organizado. Investigadores já ouviram testemunhas e afirmam ter identificado alguns suspeitos. A motivação das mortes ainda não foi esclarecida.

O caso MC Kevin

MC Kevin morreu em 16 de maio de 2021 após cair da varanda de um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O inquérito da Polícia Civil concluiu que a morte foi acidental e descartou a participação de terceiros. Apesar disso, o caso continua cercado por especulações e teorias difundidas nas redes sociais e no meio do funk.

O que dizem as autoridades

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que dois corpos foram reconhecidos por parentes na quarta-feira (27) e que a “polícia continua trabalhando para identificar as outras duas vítimas e esclarecer todas as circunstâncias do caso”.

Já a Sabesp disse que coopera com as autoridades policiais na investigação e que os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).

O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

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