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Leniel Borel alega contradições nos quesitos submetidos aos jurados; defesa de Jairinho também quer novo júri

RIO DE JANEIRO — O pai de Henry Borel, Leniel Borel, protocolou um recurso na segunda-feira (8) pedindo a anulação do julgamento que resultou no perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe do menino e ré pelo assassinato. O recurso foi apresentado após o Tribunal do Júri desclassificar a acusação de homicídio doloso (com intenção de matar) para homicídio culposo (sem intenção).

Monique foi condenada a um ano e quatro meses de detenção. Além disso, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial à ré, entendendo que ela já havia sofrido consequências suficientes em razão da repercussão do caso, do período em que ficou presa e das agressões sofridas durante a detenção.

Motivos do pedido de anulação

Segundo o recurso apresentado pela assistência de acusação, houve falhas na formulação e na sequência dos quesitos submetidos aos jurados durante o julgamento.

O advogado Cristiano da Rocha Medina, que representa Leniel Borel, afirmou que as respostas dadas pelo Conselho de Sentença teriam gerado uma contradição interna no veredicto.

“Os jurados já haviam reconhecido a materialidade e a autoria atribuídas a Monique, bem como rejeitado a tese absolutória apresentada pela defesa. Contudo, na sequência da votação, foram submetidos a novos quesitos cujas respostas se mostraram incompatíveis com as conclusões anteriormente alcançadas”, afirmou o advogado.

A assistência de acusação sustenta que as inconsistências na elaboração e na ordem dos quesitos comprometeram a coerência da decisão dos jurados e dificultam a compreensão da real manifestação do Conselho de Sentença. Por isso, o pedido é para que o julgamento seja anulado e um novo júri seja realizado.

Condenação de Jairinho

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação.

A defesa de Jairinho também se manifestou. Segundo nota divulgada pelos advogados, eles vão protocolar um recurso de apelação contra a sentença. As razões do recurso, com a apresentação detalhada das teses da defesa, serão encaminhadas posteriormente à 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Entre os principais argumentos está a alegação de parcialidade da juíza Elizabeth Machado Louro. A defesa afirma que essa questão vem sendo levantada há cinco anos e que o tema também passou a ser discutido pelo Ministério Público e pela assistência de acusação.

“Se o júri for anulado em relação à Monique, deve também ser anulado em relação ao Jairo, pois a imparcialidade é pressuposto da jurisdição. Não existe um processo penal legítimo sem imparcialidade. Dessa forma, é necessário que o Jairo também seja submetido a um novo júri, garantindo-se um julgamento justo”, afirmou o advogado Rodrigo Faucz, que representa o ex-vereador.

Relembre o caso

Henry Borel morreu no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021. Ele tinha apenas quatro anos.

O menino chegou a ser levado a um hospital particular, onde o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico. No entanto, o laudo de necropsia do IML apontou que Henry sofreu 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.

As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era vítima de uma rotina de tortura praticada pelo padrasto, e que a mãe tinha conhecimento das agressões. Os réus foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Legado do caso

Após a repercussão do caso, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou o projeto que cria a “Ronda de Proteção à Infância”, também chamada de “Ronda Henry Borel”. O caso também baseou a criação da Lei Henry Borel, em maio de 2022, que torna crime hediondo todo homicídio de criança e adolescente.

O caso segue em andamento na Justiça, e novas informações sobre os recursos serão divulgadas assim que forem analisadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

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