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A 1ª Vara Criminal de Sumaré condenou a 20 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, Ademir Gomes dos Santos pelo assassinato de sua companheira, Gislaine Aparecida de Almeida. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (17) no Fórum do município e acolheu as teses do Ministério Público para o crime de feminicídio qualificado.

O crime, que gerou forte comoção na Região Metropolitana de Campinas, aconteceu na madrugada do dia 6 de abril de 2024, no bairro Nova Veneza. De acordo com os autos do processo, a vítima foi brutalmente assassinada com 24 golpes de faca dentro da residência do casal. Os dois mantinham um relacionamento estável que já durava oito anos.

Na decisão proferida pelo Poder Judiciário, o magistrado responsável pelo caso destacou o alto grau de reprovação da conduta do réu, apontando “crueldade na execução” devido ao expressivo número de perfurações identificadas pela perícia técnica.

O corpo de jurados também reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Exames periciais anexados ao inquérito indicaram que Gislaine apresentava elevado teor alcoólico no momento do ataque, fator que, segundo a sentença, reduziu drasticamente sua capacidade de reação e aumentou sua vulnerabilidade diante das agressões. Ela foi surpreendida pelo agressor na madrugada.

À época da prisão em flagrante, Ademir confessou a autoria do crime às autoridades policiais, justificando o ato por crises de ciúmes decorrentes de uma suposta traição.

Ao fixar a pena em duas décadas de prisão, o juiz negou ao réu o direito de recorrer da sentença em liberdade. O magistrado determinou a manutenção da prisão preventiva para a garantia da ordem pública, reforçando a gravidade concreta do delito. Ademir também teve seus direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação, conforme determina a legislação penal vigente.

A defesa do acusado tem o direito de interpor recurso junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) para tentar a redução da pena ou a anulação do júri. Procurados para se manifestar sobre o desfecho do julgamento, os defensores do réu não emitiram posicionamento oficial até o fechamento desta reportagem.

Jessica Machado
Bacharel em Direito e jornalista, apaixonada por comunicação e por contar histórias que fazem a diferença.

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