Uma pesquisa recente acendeu o sinal de alerta para o bolso dos moradores da capital paulista. Quem entra na primeira farmácia que encontra pela frente em São Paulo pode estar cometendo um erro caro. Um levantamento minucioso realizado pelo Procon-SP revelou que o preço de um mesmo medicamento pode variar até 25 vezes entre diferentes estabelecimentos da cidade. A disparidade de valores — que ultrapassa a impressionante marca de 2.400% — atinge diretamente o orçamento das famílias, principalmente em um cenário onde os medicamentos subiram acima da inflação oficial.
A boa notícia trazida pelo estudo é que a tecnologia pode trabalhar a favor do consumidor: a compra realizada por canais digitais (sites e aplicativos das próprias redes) chega a registrar preços significativamente menores. Os medicamentos genéricos, por exemplo, são comercializados na internet por valores, em média, 20,58% mais baratos do que nas prateleiras físicas.
Entenda como a pesquisa foi feita
A fiscalização do Procon-SP realizou o levantamento de preços em dez grandes drogarias distribuídas de forma estratégica pela capital paulista (duas em cada região da cidade), além de auditar os sites de e-commerce dessas mesmas redes.
Ao todo, os técnicos monitoraram os valores de 71 medicamentos nas lojas físicas e 72 nas plataformas online, englobando remédios de referência e versões genéricas de categorias populares, como antitérmicos, antibióticos, anti-inflamatórios e ansiolíticos.
O campeão da disparidade: Variação passa de 2.400%
A maior e mais alarmante diferença de preço constatada pelos fiscais foi na Tadalafila genérica de 5 mg (comprimido muito utilizado no tratamento de disfunção erétil e da hiperplasia prostática benigna).
Nas lojas físicas, o mesmo produto, com a mesma dosagem e do mesmo fabricante, foi encontrado pelo valor mínimo de R$ 3,87 na Zona Sul e pelo teto de R$ 98,05 na Zona Norte, o que representa uma diferença de quase 25 vezes (exatos 2.433% de variação).
Quando o mesmo item foi pesquisado nos canais digitais, a distância entre o preço mais barato e o mais caro caiu significativamente, variando de R$ 3,87 a R$ 32,49 (uma oscilação de oito vezes).
Outros medicamentos na mira da variação
A discrepância não ficou restrita a uma única classe terapêutica. Remédios de uso contínuo ou voltados a tratamentos frequentes da população apresentaram flutuações severas:
- Sildenafila genérica (50 mg): O medicamento chegou a registrar preços 13 vezes maiores comparando os diferentes sites das redes varejistas.
- Tadalafila (20 mg): A variação nas lojas de rua chegou a 14 vezes dependendo da apresentação e da drogaria.
- Uso diário (Nimesulida, Loratadina e Atorvastatina): Medicamentos amplamente utilizados para inflamações, alergias e controle do colesterol registraram variações de até 11 vezes entre o ponto de venda mais barato e o mais caro.
- Medicamentos de Referência: Embora os genéricos apresentem as oscilações mais brutas, os remédios de marca também variam. A maior diferença nesta categoria foi de 286,11%, registrada no hormônio tireoidiano Synthroid (25 mcg), cujos preços oscilaram entre R$ 10,73 e R$ 41,43.
Por que os preços mudam tanto? É legal?
Uma dúvida comum entre os cidadãos é se essa flutuação agressiva configura crime ou prática abusiva. O Procon-SP esclareceu que, durante toda a fiscalização, nenhum estabelecimento ultrapassou o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), que é o teto regulatório estipulado por lei e fiscalizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Como o mercado farmacêutico brasileiro opera sob o regime de livre concorrência, as redes têm total liberdade para aplicar margens de lucro diferentes, criar políticas internas de descontos, firmar parcerias com convênios ou reduzir margens para atrair fluxo de clientes em determinadas regiões. O estabelecimento que vende pelo preço máximo não está ilegal, mas perde agressivamente em competitividade.
O impacto disso no orçamento doméstico é real, principalmente considerando que, no acumulado recente, o reajuste médio dos remédios ficou acima da inflação: enquanto o índice geral fechou em 4,99%, os medicamentos de referência subiram 8,43% e os genéricos dispararam 12,74%.
A pesquisa do Procon-SP consolida o ambiente online como o melhor amigo do bolso do consumidor. Em média, os medicamentos genéricos são 63,05% mais em conta do que os medicamentos de referência no balcão físico. No entanto, quando a compra migra para o ambiente virtual, a diferença média a favor dos genéricos sobe para 66,18%.
Mesmo no caso de remédios de marca (referência), o preço médio nos sites costuma ser cerca de 8,13% menor do que o praticado nas lojas físicas.









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