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De acordo com projeções do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o novo imposto deve afetar diretamente cerca de 21% do valor total das exportações brasileiras rumo ao mercado americano. Apesar do impacto severo nas cadeias industriais, o anúncio trouxe um alívio parcial para o agronegócio nacional com a divulgação de uma extensa lista contendo mais de 2.100 itens isentos.

O que motivou a decisão de Washington?

A aplicação da sobretaxa é o resultado prático de uma investigação minuciosa baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, coordenada pelo Escritório do Representante Comercial (USTR). O processo, iniciado em julho de 2025, apontou supostas práticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” ou restritivas ao comércio norte-americano.

Para evitar desabastecimento interno e inflação de preços aos consumidores americanos, o governo dos EUA poupou produtos essenciais que não possuem produção equivalente ou autossuficiente em solo norte-americano.

As principais commodities e alimentos exportados pelo Brasil foram classificados como isentos, incluindo:

  • Carnes (bovina, suína e de aves);
  • Café em grão e café solúvel sem sabor;
  • Suco de laranja;
  • Aeronaves e peças para a indústria aeroespacial;
  • Ferro-gusa, resíduos de ferro, sucata e aço;
  • Hidróxido de alumínio e couros específicos.

A inclusão de novos produtos manufaturados e insumos reciclados à lista de exceções ocorreu após intensa pressão e envio de comentários por parte de associações industriais de ambos os países ao longo do último mês.

Setores mais atingidos na indústria

Se o campo respira aliviado, o setor industrial brasileiro de alta tecnologia acendeu o sinal de alerta. Especialistas em comércio exterior indicam que os produtos de maior valor agregado serão os mais penalizados pela perda de competitividade.

A cadeia de siderurgia, autopeças, químicos orgânicos, calçados e manufaturados leves está na linha de frente dos impactos da nova alíquota. Entidades empresariais, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), lamentaram o desfecho das negociações, atribuindo o resultado a ruídos políticos e diplomáticos na condução do diálogo bilateral.

Reação de Brasília e próximos passos

As novas regras tarifárias estão programadas para entrar em vigor já no próximo dia 22 de julho. Em posicionamento oficial, o governo brasileiro criticou duramente a medida. Em nota conjunta, os ministérios responsáveis afirmaram que a aplicação de sobretaxas unilaterais é “injusta” e prejudica a formulação de um acordo bilateral que atenda mutuamente aos dois países.

Nos bastidores, diplomatas e técnicos do governo federal já estudam medidas de retaliação comercial permitidas pelas regras internacionais. Paralelamente, o mercado acompanha com cautela outra investigação paralela conduzida pelo USTR relacionada a cadeias de suprimentos globais, que pode propor novas tarifas adicionais nos próximos meses, elevando o clima de tensão no tabuleiro comercial global.

Jessica Machado
Bacharel em Direito e jornalista, apaixonada por comunicação e por contar histórias que fazem a diferença.

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