Guilherme Torres da Silva foi vítima de bebida adulterada em agosto de 2025 e não resistiu a complicações pulmonares; caso é mais um da série de intoxicações no estado de São Paulo

ITAPECERICA DA SERRA (SP) — Depois de quase 10 meses com graves sequelas causadas pela ingestão de bebida adulterada com metanol, Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, morador do bairro Recreio Primavera, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, morreu no domingo (14) e foi sepultado na segunda-feira (15).
Segundo familiares, o jovem ficou com graves limitações após a intoxicação e estava internado desde a última quinta-feira (11) antes de morrer por complicações pulmonares.
Diário da recuperação
A família criou uma página nas redes sociais para mostrar a rotina de recuperação e os desafios enfrentados após o caso. As publicações mostraram desde como o rapaz era antes da intoxicação até registros das sessões de fisioterapia e do batismo nas águas, realizado em abril deste ano. Um dos momentos compartilhados traz o dia da alta, que reuniu profissionais da saúde com balões sob salva de palmas.
Últimos dias
Maiana do Nascimento, amiga antiga da família, detalhou os últimos dias do rapaz. Guilherme estava internado desde a última quinta-feira e não resistiu a complicações pulmonares.
“Ele não estava andando, não realizava nenhuma refeição via oral, apenas por sonda. Tomava mais de dez remédios por dia. Falava poucas coisas e com dificuldade para ser compreendido”, contou a amiga.
A família chegou a organizar uma vaquinha para ajudar nos cuidados diários. “Compramos itens para uso pessoal dele e utilizamos para melhoria de locomoção dele dentro de casa”, disse.
O que é metanol
O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. É altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até a morte. Também pode provocar insuficiências pulmonar e renal.
Como ocorreu a intoxicação
Segundo a amiga, tudo começou quando Guilherme comprou gin em uma adega próxima de casa em agosto de 2025.
“Ao ingerir ele passou mal dizendo que estava com visão turva e embaçada. Fomos ao hospital e daí em diante começou a nossa luta pela vida dele. Ele sofreu diversas paradas cardíacas”, contou.
Perfil da vítima
Guilherme trabalhava, tinha uma moto comprada com o próprio esforço e sonhava em ser cantor. Ele também era pai de um menino de dois anos. Amigos lembraram do lado esportista do jovem. “Guilherme jogava bola também e era destacado pelos amigos da rua por ser bem habilidoso”, afirmou Maiana.
Outras vítimas
O velório contou com a presença de familiares e amigos de outras vítimas de intoxicação por metanol, incluindo Helena, mãe de Rafael Anjos Martins, e Sheily, irmã de Wesley Neves Pereira.
Rafael, de 27 anos, morreu em novembro após ficar 52 dias em coma. Já Wesley, motoboy, recebeu alta em outubro depois de passar 45 dias internado e ainda se recupera das sequelas.
Balanço do estado
Segundo o último boletim do estado de São Paulo, que ainda não contabilizava a morte de Guilherme, foram confirmados 54 casos desde 2025, sendo 12 óbitos.
Recomendações
A Secretaria de Estado da Saúde recomenda que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos comercializados e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.
Os sintomas de alerta são dores abdominais intensas, tontura e confusão mental. O socorro em até 6 horas após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento.
O Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) oferece apoio para diagnóstico e orientação pelos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.
O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








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