Atacante sofreu ruptura parcial na panturrilha; especialistas apontam prazo de recuperação entre 2 e 6 semanas e alertam para risco de recidiva

TERESÓPOLIS (RJ) — A confirmação da lesão muscular de grau 2 na panturrilha de Neymar acendeu um alerta na Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Na manhã desta quinta-feira (28), o médico da equipe, Rodrigo Lasmar, atualizou o quadro clínico do atacante e revelou que o jogador precisará ficar afastado das atividades da Seleção pelas próximas semanas.
Para entender a gravidade da lesão, os riscos envolvidos e o tempo necessário para recuperação, a reportagem conversou com especialistas em fisioterapia e lesões esportivas.
O que é uma lesão grau 2
Segundo especialistas, uma lesão grau 2 representa uma ruptura parcial das fibras musculares, com dor importante e perda funcional. “Em atletas de alto rendimento como o Neymar, isso ganha ainda mais relevância porque a panturrilha é essencial para explosão, aceleração, salto, frenagem e mudanças rápidas de direção”, afirmou a fisioterapeuta Renata de Oliveira, especialista em osteopatia.
Tempo de recuperação
O prazo de duas a três semanas divulgado pela Seleção chamou a atenção dos especialistas, que consideram a previsão otimista.
“É um prazo extremamente otimista. Para cravar isso, o staff responsável pela tomada de decisão precisa ter muita segurança de que se trata de uma lesão de baixa severidade”, explicou Caio Bevilaqua, especialista em prevenção de lesões em atletas profissionais. “Regiões mais nobres da panturrilha demandam recuperação de colágeno especializado e, consequentemente, mais tempo. O tempo de recuperação com certeza ultrapassa 4 a 6 semanas.”
Renata também vê cautela como fundamental. “Em atletas profissionais existe uma estrutura de recuperação muito avançada, o que acelera o processo. Porém, em competições de alta intensidade, o retorno precisa ser muito seguro, porque uma recaída pode ser ainda mais prejudicial do que a própria lesão inicial.”
Sintomas
Os especialistas explicam que esse tipo de problema costuma provocar sintomas importantes e limitações imediatas para jogadores de futebol:
- Dor pontual ao alongamento
- Dor para andar
- Dor localizada contínua
- Dor nos testes de força da musculatura do tríceps sural
- Sensação de fisgada
- Dificuldade para correr e impulsionar o corpo
- Edema e perda de força
Fases da recuperação
Durante a recuperação, o atacante deverá passar por diferentes etapas de fisioterapia e fortalecimento muscular:
- Fase 1: Proteção e controle da dor (0 a 7 dias)
- Fase 2: Mobilização progressiva (1 a 2 semanas)
- Fase 3: Fortalecimento e controle motor (2 a 3 semanas)
- Fase 4: Atividades esportivas específicas (3 a 4 semanas)
Riscos de nova lesão
Os especialistas também alertam para os riscos de um retorno precoce aos gramados. Segundo eles, a pressão por disputar uma Copa do Mundo pode aumentar o perigo de uma nova lesão.
“No esporte de alto rendimento, nós sempre trabalhamos com condutas de gerenciamento de risco. As lesões musculares são as lesões mais difíceis de reabilitar dentro do esporte. São lesões traiçoeiras e exigem muito critério baseado em dados para uma progressão segura”, afirmou Caio.
“O retorno precoce aumenta muito a chance de nova ruptura muscular. A decisão não é baseada apenas na ausência de dor, mas também em testes físicos, força muscular, capacidade funcional, exames de imagem e segurança biomecânica durante os movimentos do esporte”, reforçou Renata.
Impacto no estilo de jogo
Os fisioterapeutas destacam que a panturrilha exerce papel fundamental no estilo de jogo de Neymar, especialmente em ações que exigem explosão e velocidade.
“A panturrilha participa diretamente da tríplice extensão do corpo humano, responsável por empurrar o movimento para frente e vencer a gravidade. Ela está diretamente ligada aos movimentos de potência e às altas velocidades exigidas no futebol moderno”, explicou Caio.
“Qualquer déficit nessa musculatura pode reduzir velocidade, potência e estabilidade, afetando diretamente o desempenho técnico e físico do atleta”, completou Renata.
Histórico de lesões
Outro ponto que preocupa é o histórico recente de lesões musculares do jogador, fator que aumenta o risco de reincidência.
“O histórico de lesão é o principal fator de risco não modificável já estabelecido na literatura científica. Lesões recorrentes alteram a arquitetura muscular ao longo do tempo. Se esse atleta evoluir sem critérios específicos, ele se torna um forte candidato para novas lesões”, disse Caio.
Renata destacou ainda o impacto que uma nova recaída poderia gerar para o restante da temporada: “O maior risco é uma recidiva da lesão, que normalmente vem mais grave e com recuperação mais longa. Além disso, o atleta pode desenvolver compensações musculares e sobrecarga em outras regiões do corpo, comprometendo desempenho, sequência de jogos e longevidade esportiva.”
Próximos passos
A Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo no dia 13 de junho contra Marrocos, em Nova Jersey. A expectativa é que Neymar se recupere a tempo, mas a comissão técnica e o departamento médico devem priorizar a segurança do atleta para evitar uma recaída que poderia comprometer toda a participação do camisa 10 na competição.
O caso segue em monitoramento, e novas informações sobre a recuperação do atacante serão divulgadas pela CBF nos próximos dias.








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