Iniciativa beneficiará 1.584 crianças de 2 a 12 anos acompanhadas pela rede municipal de saúde e representa avanço na qualidade de vida

SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo deu início à distribuição gratuita de sensores de monitoramento contínuo de glicose para 1.584 crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1. A ação, que começou neste mês, beneficia pacientes acompanhados pelo Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da rede municipal de saúde.
Os sensores custam cerca de R$ 770 por mês para cada paciente, e o fornecimento será contínuo. A reposição dos dispositivos ficará sob responsabilidade da Unidade Básica de Saúde (UBS) que acompanha a criança.
Como funciona a tecnologia
Os sensores fazem o monitoramento contínuo dos níveis de glicose, substituindo as tradicionais picadas nos dedos, que podem ser necessárias de cinco a oito vezes por dia. Para crianças de 2 a 9 anos, o sensor será acompanhado de um leitor dedicado, aparelho utilizado para consultar as informações registradas. Já para a faixa de 10 a 12 anos, os dados poderão ser acessados por meio de aplicativo em smartphone, com recursos como visualização em tempo real, alertas e compartilhamento das informações com os responsáveis.
A recomendação técnica é que os sensores sejam substituídos a cada 15 dias.
Depoimentos emocionados
A dona de casa Roseli Alves dos Santos, mãe de Pedro Felipe, de 11 anos, diagnosticado com diabetes aos 4 anos, comemorou a mudança. “Agora a vida vai mudar para melhor. Como ele vai fazer o monitoramento pelo sensor, evita a picada no dedo, que às vezes ele reclamava, sentia dor e chorava. Eu não conseguiria pagar porque é um valor muito alto. Então, para mim, foi tudo de bom.”
Pedro aprovou a novidade: “Só faz uma cosquinha para colocar, mas não dói. É muito melhor que as picadas. Eu ficava irritado porque doía, então gostei muito do sensor.”
Ana Laura Ferreira Rocha, de 9 anos, diagnosticada aos 5, também celebrou: “Era ruim porque doía e me deixava estressada. Agora vai melhorar, vai ser mais fácil e não doeu para colocar.”
O pai dela, o motorista Diego Rocha, destacou que o custo do equipamento era inacessível: “Não conseguiria arcar com o sensor. Já tentei, mas o orçamento não cabe no nosso bolso. Por isso foi muito importante a ajuda da prefeitura.”
Mudança profunda na rotina
Para Henrique Santos de Jesus, pai do pequeno Murilo, de 4 anos, o benefício representa uma mudança profunda. Murilo foi diagnosticado ainda bebê com glicogenose tipo 1B, doença rara que provoca episódios graves de hipoglicemia.
“No começo, a gente fazia a aferição no dedo dele e ele chorava muito. Esse sensor vai trazer uma outra qualidade de vida para ele e para a nossa família. Ele já teve mais de 20 internações. Para a gente, só o fato de a prefeitura estar ajudando já significa muito”, ressaltou.
Capacitação de profissionais
Para garantir a implantação da nova tecnologia, a Prefeitura de São Paulo capacitou 511 profissionais das cinco Coordenadorias Regionais de Saúde da cidade.
Próximos passos
Todos os pacientes de 2 a 12 anos cadastrados no Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) serão contemplados pela iniciativa. A distribuição seguirá de forma contínua, com reposição dos sensores a cada 15 dias nas UBS de referência.
O caso segue em monitoramento, e novas informações sobre a ampliação do programa serão divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde.








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