De acordo com o chefe da Divisão Operacional do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), delegado João Prata, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, principal suspeita do duplo latrocínio, demonstrou extrema frieza e dissimulação durante a reconstituição do crime.
Ao ser questionada pela equipe de perícia criminal sobre a dinâmica de como havia desferido os golpes de faca contra as vítimas, a acusada respondeu de forma assustadora, perguntando à perita se ela “já tinha matado uma galinha”.
Mudança de versões e dissimulação
A polícia destacou que o comportamento de Paola desde sua prisão em um hotel na cidade de Itabira, no início de julho, tem sido marcado por contradições e tentativas de manipulação.
“Ela é muito dissimulada. Durante a prisão dela, veio com uma versão. Durante a reconstituição, apresentou outra totalmente diferente”, afirmou o delegado João Prata em entrevista coletiva.
Inicialmente, a investigada tentou justificar a barbárie alegando ter sofrido um “surto psicótico” provocado por “vozes” que teriam ordenado os assassinatos. No entanto, exames toxicológicos e de urina descartaram a presença de medicamentos de uso psiquiátrico ou substâncias entorpecentes em seu organismo. A hipótese de incapacidade mental foi enfraquecida pela ausência de qualquer laudo médico ou histórico psiquiátrico prévio apresentado pela defesa.
Violência extrema: laudo aponta dezenas de facadas
A perícia da Polícia Civil revisou a contagem dos ferimentos e confirmou o nível assustador de violência empregado no crime. Inicialmente, estimava-se que o casal havia sido atingido por 24 golpes ao todo. Contudo, após a análise detalhada dos laudos de necropsia, os investigadores constataram que apenas o advogado Cláudio Atala recebeu 43 golpes de faca. A esposa dele, Maria Clotilde, foi atingida por sete golpes.
Segundo a linha de investigação conduzida pela 2ª Delegacia Especializada em Investigação e Repressão ao Furto e Roubo, Paola dopou o casal de idosos misturando uma quantidade expressiva de sedativos em um suco. A suspeita é que o advogado tenha acordado e tentado se defender enquanto era atacado na cama, momento em que a ação saiu do controle da criminosa.
Após cometer os assassinatos, Paola teria tomado banho no próprio apartamento das vítimas, trocado de roupa e saído calmamente carregando sacolas com bens roubados, incluindo celulares, relógios de coleção e joias.
Indiciamento por latrocínio e receptores identificados
Com a conclusão das investigações após 13 dias de diligências, a Polícia Civil indiciou formalmente Paola Stefany Neto Cirino pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte). A motivação apontada seria uma dívida de cerca de R$ 40 mil acumulada pela diarista com agiotas após perdas financeiras em jogos de azar virtuais (bets). Os itens levados da residência, avaliados em cerca de R$ 200 mil, foram revendidos por ela no mercado paralelo pelo valor irrisório de R$ 3.300.
Além da diarista, quatro homens foram indiciados por receptação qualificada por adquirirem os relógios e celulares roubados. Segundo a corporação, os compradores procuraram a polícia de forma espontânea, acompanhados de advogados, devolvendo todos os itens e alegando desconhecimento sobre a origem ilícita dos bens. Por terem colaborado, eles poderão ser beneficiados por redução de pena devido ao “arrependimento posterior”.
A defesa de Paola Stefany informou que não irá se manifestar sobre o teor do indiciamento neste momento, reservando-se para apresentar as alegações durante a instrução processual na Justiça. A suspeita permanece presa preventivamente e deve responder ao processo em regime fechado.







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