Levantamentos que mais se aproximaram do resultado do primeiro turno tiveram menos destaque nos grandes portais na véspera da eleição. Entenda a diferença entre os institutos e por que a metodologia importa.
Por Redação do Diário do Povo
São Paulo, 24 de outubro de 2026 – A um dia do segundo turno, a cobertura das pesquisas eleitorais nos grandes veículos de imprensa revela um padrão de destaque editorial que privilegia os levantamentos do Datafolha e da Quaest, enquanto os números do Instituto Veritá e do Gerp recebem menos proeminência, apesar de terem sido os que mais se aproximaram do resultado das urnas no primeiro turno.
O Histórico de Acertos
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o resultado oficial apontou 47,03% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro (PL) e 45,16% para Lula (PT) . Entre os institutos que realizaram levantamentos na véspera da votação, a Veritá foi o que mais se aproximou: sua pesquisa indicou 47% a 45%, uma diferença de apenas 0,03 ponto para o candidato do PL e 0,16 ponto para o petista .
O Gerp também apresentou números próximos, com 46% a 44% . Um ranking elaborado por veículos especializados colocou a Veritá na primeira posição entre 17 pesquisas analisadas, com diferença acumulada de apenas 0,2 ponto em relação ao resultado oficial .
O Contraste na Cobertura
Apesar desse desempenho, a cobertura da imprensa na reta final do segundo turno manteve o foco nos institutos tradicionais. Na quinta-feira (22), o Datafolha divulgou pesquisa que mostrava empate técnico: Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 46%, ou 50% a 50% em votos válidos . A Quaest, na quarta-feira (21), apontou Flávio com 45% e Lula com 44%, também em empate técnico .
Esses números foram amplamente repercutidos e estamparam as manchetes dos principais portais. Já os levantamentos da Veritá (51,3% a 48,7% para Flávio, divulgado na sexta-feira) e do Gerp (53% a 47%, divulgado na quarta-feira) tiveram circulação mais restrita, sem o mesmo espaço editorial .
Por Que os Números Diferem Tanto?
A divergência entre os institutos não é um erro, mas um reflexo de metodologias distintas. A Veritá ouviu 15.554 eleitores por telefone, com margem de erro de um ponto percentual . O Gerp entrevistou 2.400 pessoas, com margem de dois pontos . O Datafolha, por sua vez, realiza entrevistas presenciais e ouviu 2.154 pessoas na última rodada, também com margem de dois pontos .
A diferença nos resultados também pode estar relacionada à modelagem estatística e à ponderação das amostras. Institutos com métodos distintos podem captar cenários ligeiramente diferentes, especialmente em uma eleição polarizada e com alto índice de eleitores decididos.
O Que Dizem os Especialistas
A discussão sobre a cobertura da imprensa não é nova. Críticos argumentam que os grandes veículos tendem a privilegiar institutos com os quais têm parcerias comerciais — como é o caso do Datafolha (Folha de S.Paulo/Globo) e da Quaest (Globo) —, o que pode influenciar a percepção pública sobre a “real” situação da corrida eleitoral.
Por outro lado, defensores da prática jornalística argumentam que a escolha dos institutos a serem destacados segue critérios de tradição, credibilidade e alcance, e não necessariamente uma intenção de manipular.
O fato é que, a menos de 24 horas da votação, o eleitor que busca informações nos grandes portais tem acesso a um retrato da disputa, enquanto os números de outros institutos — que também estão registrados no TSE e cumpriram os requisitos legais — permanecem em segundo plano.









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