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Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi sepultado nesta segunda-feira em São Paulo. Quatro policiais foram afastados após a PM analisar gravações da abordagem em Moema, mas a íntegra do material ainda não chegou ao DHPP. Familiares contestam versão de tentativa de suicídio e apontam racismo.

Por Redação do Diário do Povo

São Paulo, 12 de outubro de 2026 – O corpo de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morto após ser atingido por pelo menos 27 tiros disparados por policiais militares em Moema, na Zona Sul de São Paulo, foi sepultado nesta segunda-feira (12), em um cemitério da capital paulista. Familiares e amigos se reuniram para se despedir do jovem, que sonhava em cursar medicina veterinária ou engenharia mecânica.

Os quatro policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades no domingo (11), após a Polícia Militar analisar as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes.

Apesar disso, quase 60 horas depois da morte, a Polícia Civil ainda não havia recebido a íntegra das gravações, consideradas fundamentais para esclarecer as circunstâncias da abordagem. Segundo apuração, o material foi solicitado à PM por meio de ofício logo após a ocorrência, mas ainda não havia sido encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) até o início da tarde desta segunda.

O Caso

Gustavo foi morto na madrugada de sábado (10), na Alameda dos Guaramomis, em Indianópolis, na região de Moema. Segundo o boletim de ocorrência, os quatro policiais dispararam 45 vezes contra o jovem, que segurava um celular confundido pelos agentes com uma arma de fogo.

A família acompanhou o sepultamento em meio à tristeza e à revolta. Gustavo era descrito por amigos como um jovem querido e tinha planos de ingressar na universidade.

Família Contesta Versão Sobre Tentativa de Suicídio

Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 2h35 de sábado para atender a um chamado sobre um homem que estaria transtornado e ameaçando tirar a própria vida.

Familiares de Gustavo, no entanto, afirmam que, embora o jovem fizesse tratamento psiquiátrico e utilizasse medicamentos antidepressivos, ele nunca havia tentado suicídio nem apresentado episódios de surto psicótico.

“Era um tratamento depressivo que não envolvia nenhum tipo de episódio relacionado à tentativa de suicídio, tentativa de automutilação, nem nada do tipo”, afirmou a advogada da família.

A representante também relatou que Gustavo, que era negro, já havia sido abordado por policiais outras vezes nas ruas de Moema, onde morava.

“A família acredita que isso acontecia única e exclusivamente pelo fato de ele ser um homem jovem negro, que morava ali na região, e que, por conta disso, a PM já considerava algum tipo de comportamento suspeito”, declarou a advogada.

Segundo a Polícia Civil, Gustavo não tinha antecedentes criminais.

Policiais Fizeram 45 Disparos

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais foram até a Avenida Moreira Guimarães após receberem o chamado. Ao avistar a equipe, Gustavo correu por uma passarela em direção à Alameda dos Guaramomis e tentou se esconder no recuo de um imóvel comercial.

Ainda segundo a versão dos agentes, o jovem saiu de uma área escura e estendeu os braços na direção dos policiais enquanto segurava um objeto escuro. Os PMs afirmaram ter interpretado o movimento como uma ameaça com arma de fogo e abriram fogo.

O objeto encontrado ao lado do corpo, no entanto, era um telefone celular.

Confira a distribuição dos disparos por policial:

  • Soldado Gomes: 14 disparos
  • Soldado Sales: 13 disparos
  • Soldado França: 12 disparos
  • Sargento Macedo: 6 disparos
    A perícia recolheu 44 cápsulas de munição e identificou pelo menos 27 ferimentos provocados por disparos no corpo de Gustavo, incluindo lesões na cabeça, no tórax, no abdômen, nos braços e nas pernas.

Também foram encontradas marcas de disparos na fachada de um imóvel próximo ao local da morte.

A investigação deverá esclarecer a trajetória dos projéteis e as posições dos policiais e da vítima no momento dos tiros. Uma das questões a serem analisadas é se houve disparos quando Gustavo já estava caído.

Polícia Civil Aguarda Imagens das Câmeras Corporais

As imagens das câmeras corporais dos policiais estão sob análise da Corregedoria da Polícia Militar, que investiga a atuação dos agentes.

A PM decidiu afastar os quatro policiais das atividades operacionais após examinar as gravações.

A Polícia Civil, porém, ainda não havia recebido o material até o início da tarde desta segunda-feira, apesar de ter solicitado formalmente as imagens logo após a morte.

Os investigadores do DHPP também buscam gravações de câmeras de segurança instaladas nas proximidades para reconstruir a sequência dos acontecimentos.

Outro ponto que chama a atenção é o intervalo entre a ocorrência e a comunicação ao DHPP. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais foram acionados por volta das 2h35, mas o DHPP só foi comunicado por volta das 8h40, cerca de seis horas depois.

O corpo de Gustavo permaneceu no local até pouco depois das 11h, quando foi liberado para encaminhamento ao Instituto Médico-Legal (IML).

As armas dos agentes foram apreendidas para exames balísticos. O laudo necroscópico também deverá ajudar a esclarecer a dinâmica dos disparos.

Quem Era Gustavo Munis

Gustavo Munis de Santana tinha 20 anos, morava com a mãe e as irmãs, trabalhava em um hospital, cuidava de cachorros e era conhecido por ajudar pessoas próximas, segundo relatos de um vizinho que o conhecia desde criança.

“É um moleque bom, gente boa, sempre que precisava ele arrumava bicicleta da minha filha”, disse o técnico de refrigeração Eguinaldo Ferreira.

Eguinaldo afirmou que conhecia Gustavo desde a infância. Ele também contou que o jovem costumava ajudá-lo com pequenos consertos. Segundo ele, Gustavo também cuidava de cachorros e trabalhava em um hospital.

O Que Diz a SSP

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta de seus agentes e que as circunstâncias da morte são investigadas com rigor. A pasta informou que eventuais irregularidades serão punidas.

O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio do DHPP, e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos.

Rodrigo Silva
Estudante de Publicidade e Propaganda focado em Social Media e Marketing Digital. Transformo estratégias de conteúdo, comunicação visual e copywriting em resultados práticos de engajamento e autoridade de marca. Uno o pensamento analítico de performance à visão criativa para desenvolver e potencializar projetos digitais.

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