SÃO PAULO (SP) — Réu pelo homicídio da esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto fez graves desabafos sobre o período em que permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.
Em interrogatório prestado à Corregedoria da PM, obtido em primeira mão pela coluna Alfredo Henrique, do Metrópoles, o oficial alegou estar submetido a uma rígida inversão da hierarquia militar dentro do estabelecimento prisional.
Desabafo, Regras Internas e Limpeza
Durante a oitiva do Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado por advogado, Geraldo relatou que precisa pedir permissão a soldados e cabos para ingressar nas celas, além de cumprir rotinas de faxina que incluem lavar banheiros, louças e corredores, e buscar o alimento dos demais internos. “Eu sou um escravo”, declarou o oficial durante o depoimento.
O tenente-coronel justificou que 99% dos detentos da unidade são praças e que as normas informais impostas pelos próprios presos prevalecem sobre a patente. Ele também revelou desconforto por dividir o espaço com policiais que já havia fiscalizado ou punido enquanto exercia funções de comando nas zonas leste e oeste de São Paulo.









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