Enquanto petróleo, café, carne e celulose foram preservados, setores industriais como o de aço semiacabado continuam sob a mira do governo Trump

WASHINGTON — Apesar da lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos, diversos produtos brasileiros ainda poderão ser atingidos pela tarifa de 25% proposta pelo país após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A medida foi anunciada na segunda-feira (1º) e tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o governo americano, a tarifa é uma resposta a práticas e políticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação dos EUA, seriam “irrazoáveis” e prejudicariam o comércio norte-americano.
Produtos preservados
Uma lista de exceções preserva alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ao mercado americano, como petróleo bruto, aeronaves, café, carne bovina, celulose, medicamentos, minério de ferro, frutas, castanhas, cacau, ouro e semicondutores.
Produtos fora da isenção
Outros itens relevantes da pauta exportadora brasileira, porém, ficaram de fora das isenções e podem enfrentar a cobrança adicional:
Aço e derivados
Os produtos semiacabados de ferro e aço foram o segundo item mais exportado pelo Brasil para os EUA em 2025, com vendas de US$ 3,36 bilhões (8,92% do total). Embora a lista de exceções contemple algumas categorias específicas ligadas ao setor siderúrgico, como ferroligas e tubos de aço para aviação, os produtos semiacabados, lingotes e formas primárias de aço não aparecem entre os itens isentos.
Outro segmento relevante é o de ferro-gusa, spiegel e ferro-esponja, que movimentou US$ 1,74 bilhão em exportações no ano passado (4,63% da pauta).
Suco de frutas e vegetais
As exportações do setor somaram US$ 1,61 bilhão em 2025 (4,28% das vendas para os EUA). A lista de exceções inclui frutas frescas, secas, congeladas e polpas, mas não contempla os sucos industrializados.
Equipamentos de construção civil
O segmento exportou US$ 1,38 bilhão para os EUA em 2025 (3,67% do total). Embora algumas máquinas e equipamentos industriais tenham sido incluídos nas isenções, o benefício está restrito a produtos destinados ao setor aeronáutico, deixando de fora boa parte do maquinário empregado na construção civil.
Outros setores sob risco
- Cal, cimento e materiais de construção: US$ 794 milhões (2,11%) — não aparecem na lista de isenções
- Máquinas de energia elétrica: US$ 660 milhões (1,75%) — isenções focam no setor aeroespacial
- Pneus de borracha: US$ 536 milhões (1,42%) — isenção restrita apenas a pneus para aeronaves
- Alumina (óxido de alumínio): US$ 463 milhões (1,23%) — o minério (bauxita) é isento, mas o produto processado não
- Óleos e gorduras animais: US$ 450 milhões (1,19%) — não estão na lista de isenções
- Motores de pistão e partes: US$ 435 milhões (1,15%) — isenção válida apenas quando destinados a aeronaves
- Madeira (folheados, compensados e aglomerados): cerca de US$ 360 milhões (0,95%) — sem previsão de isenção
Impacto estimado
O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse nesta terça-feira (2) que a nova proposta do governo Trump pode impactar 21% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. De acordo com ele, cerca de 25% das mercadorias brasileiras já estão sujeitas a sobretaxas previstas na Seção 232 (aço, alumínio e autopeças). Outros 54% das exportações não são afetadas por tarifas.
Próximos passos
O processo ainda não é definitivo. Haverá consultas públicas e audiência marcada para 6 de julho de 2026. A decisão final deve ser tomada até 15 de julho de 2026.
O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a proposta. O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








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