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SÃO PAULO – Investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil desmantelou, nesta quarta-feira (15), uma complexa engenharia financeira destinada à lavagem de capitais que operava sob a fachada do comércio popular na Rua 25 de Março, coração comercial da capital paulista.

De acordo com as investigações, o fluxo financeiro gerado pelo tráfico de drogas era inserido de forma camuflada na economia formal por meio de redes de lojas de fachada.

A ação culminou na prisão de dez suspeitos. Entre os detidos está uma mulher apontada pelos investigadores como a principal operadora financeira do esquema. Ela gerenciava uma rede de estabelecimentos — com destaque para lojas de capinhas e acessórios de celulares — que servia para maquiar a origem de recursos ilícitos.

Trégua no crime pelo lucro formal

O que mais chamou a atenção das autoridades foi o caráter pragmático do esquema. No território do crime e das disputas armadas, as facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), além do Primeiro Comando da Capital (PCC), atuam como rivais históricas. No entanto, no momento de “limpar” o dinheiro arrecadado nas bocas de fumo, as diferenças eram deixadas de lado.

As investigações apontam que a mesma estrutura profissional sediada em São Paulo e com ramificações interestaduais operava a contabilidade e a introdução de ativos para todas essas organizações. “Existe uma estrutura empresarial paralela e altamente organizada dedicada exclusivamente a dar aparência legal a valores substanciais que vêm do crime”, explicou a promotoria do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Lojas de capinhas

O tamanho do negócio ilegal impressiona. Somente a principal operadora financeira do grupo movimentou cerca de R$ 50 milhões em um período de apenas dois anos. A estratégia consistia em simular milhares de pequenas vendas de acessórios eletrônicos de baixo valor nominal, como capinhas de celular e películas, mascarando depósitos e transações bancárias em dinheiro vivo.

Dessa forma, o montante, que originalmente entrava amassado, rasgado e com forte odor característico do varejo das drogas, passava a integrar as contas correntes de empresas formalizadas e com CNPJ ativo, dificultando o rastreio inicial dos órgãos de controle financeiro.

Prisão com resistência e tiroteio

O cumprimento dos mandados judiciais mobilizou dezenas de agentes de segurança. Durante a captura da principal suspeita, que estava escondida em uma comunidade, policiais foram recebidos a tiros por traficantes locais que tentavam impedir a ação da Justiça. Apesar do confronto e da forte tensão, ninguém ficou ferido e os agentes conseguiram efetuar a prisão.

A operação segue em andamento, e a Justiça determinou o bloqueio de bens, ativos financeiros e contas bancárias ligadas aos CNPJs envolvidos. O foco das autoridades agora se volta para a identificação de novos “laranjas” e outros estabelecimentos comerciais que possam estar operando sob as ordens do mesmo cartel financeiro na capital paulista.

Jessica Machado
Bacharel em Direito e jornalista, apaixonada por comunicação e por contar histórias que fazem a diferença.

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