0

Douglas Alves da Silva é réu por feminicídio e tentativa de homicídio; vítima teve as pernas amputadas e morreu na véspera do Natal de 2025

SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo decidiu nesta segunda-feira (25) levar a júri popular o homem preso por atropelar e arrastar Tainara Souza Santos por 1 km na Marginal Tietê no ano passado. A decisão foi tomada após audiência de instrução realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital.

O caso ocorreu em 29 de novembro de 2025. Tainara foi atropelada, arrastada por 1 km e abandonada ainda viva perto de um posto de combustíveis. Ela teve as pernas amputadas, ficou internada na UTI, passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu em 24 de dezembro — véspera de Natal — após quase um mês internada no Hospital das Clínicas.

O crime ganhou repercussão nacional por causa da crueldade e se tornou símbolo da violência praticada por homens contra mulheres no Brasil.

O acusado

O ex-ficante da vítima, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, está preso preventivamente. Ele é réu por feminicídio e tentativa de homicídio contra Lucas Brito Galvão Silva, amigo de Tainara que também foi atingido e arrastado por alguns metros. Segundo apuração, ele não tem direito a responder pelos crimes em liberdade.

Em caso de condenação em júri popular, a pena pode variar de 20 a 40 anos de prisão.

O que diz a defesa

Antes da audiência, a defesa de Douglas considerou “prematura a marcação da audiência”. “Existem laudos que sequer foram juntados, alguns foram juntados agora”, disse o advogado Marcos Leal. Ele acrescentou que continua “batendo na tecla que não é feminicídio”. “Ele não conhecia ela e não tem nenhuma prova nos autos desse suposto relacionamento”, afirmou.

Audiência de instrução

Na audiência desta segunda, foram ouvidas 12 testemunhas, e o réu foi interrogado. Nesta etapa do processo, a Justiça decide se leva o acusado a júri popular para ser julgado depois pelos crimes.

Depoimento da mãe

Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara, disse à imprensa que “uma etapa importante desse processo foi concluída hoje”. Segundo ela, foi o momento em que pôde olhar frente a frente para o autor da morte da filha — “uma pessoa que, de forma fria e cruel, tirou o bem mais precioso da sua vida”.

Em determinado momento, ela perguntou ao acusado por que ele fez aquilo com Tainara. Segundo a mãe, Douglas não levantou a cabeça em nenhum instante.

Como foram os crimes

Câmeras de segurança e testemunhas gravaram o momento em que Douglas atropela a vítima e a arrasta até abandoná-la ainda viva. Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por ciúmes. A investigação aponta que Douglas e Tainara tiveram um relacionamento breve no passado e que ele não aceitava o fim.

Após fugir sem prestar socorro, Douglas foi preso pela polícia no dia 30 de novembro. Na delegacia, disse estar arrependido, mas negou conhecer Tainara. Alegou que o atropelamento foi “acidental”, após uma briga que envolveu um amigo dela que o teria agredido com uma garrafada. Outros depoimentos de testemunhas divergem dessa versão.

Douglas também alegou que acelerou o carro sem perceber que a mulher estava debaixo do veículo e que só parou mais adiante, quando ela se soltou. Disse ainda que deixou o local por medo de ser agredido por outras pessoas.

No entanto, as investigações demonstraram que a ação foi intencional, motivada por ciúmes, e que ele não parou de propósito, mesmo com alertas de pedestres e outros motoristas.

Estado de saúde e morte

Tainara passou pela primeira cirurgia no mesmo dia da prisão do atropelador. Em 1º de dezembro, ela teve as pernas amputadas. Em 2 de dezembro, foi operada novamente, agora na bacia e para conter infecções. Apesar dos esforços médicos, ela morreu em 24 de dezembro. A declaração de óbito apontou septicemia, amputações e desarticulação de quadril como causas da morte.

Velório e enterro

O velório ocorreu em 26 de dezembro, com a presença de familiares e amigos. O corpo foi enterrado sob aplausos, em meio a pedidos por justiça. Cartazes e camisetas lembravam a vítima e reforçavam a luta contra a violência de gênero. Tainara deixou dois filhos: um menino de 12 anos e uma menina de 7 anos.

O caso segue em andamento, e o júri popular ainda não tem data definida para ocorrer. Novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

Você também pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Policial