Em entrevista à TV Globo, presidente volta a se opor à classificação feita pelos EUA e afirma que PCC e Comando Vermelho “aterrorizam” cidades brasileiras, mas não se enquadram no conceito de “terrorismo de Estado” usado por Washington.
Por Redação do Diário do Povo
Brasília, 15 de outubro de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se opor, nesta quinta-feira (15), à classificação de facções criminosas como grupos terroristas. Em entrevista à TV Globo, Lula disse que, quando os EUA falam em terrorismo, referem-se a “terrorismo de Estado”, como o atentado às torres gêmeas, enquanto no Brasil as facções “só querem o dinheiro” .
A declaração foi dada durante sabatina conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, quando o presidente foi questionado sobre a resistência do governo brasileiro à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, posição defendida pelos Estados Unidos .
O Que Lula Disse
Segundo relatos de veículos presentes à sabatina, Lula diferenciou a atuação das facções brasileiras do conceito de terrorismo aplicado pelos EUA:
“Não, veja, é um ponto que os Estados Unidos não entende, porque quando os Estados Unidos fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado”, respondeu Lula. Segundo ele, os americanos tratam como terrorismo “aqueles que atentaram contra as duas torres americanas, contra aquele que quer dar golpe de Estado”. E completou: “Não é o caso das facções do crime organizado no Brasil, que eles só querem dinheiro” .
O presidente, no entanto, admitiu que “tanto o PCC como o Comando Vermelho são terroristas para a comunidade brasileira e para os bairros brasileiros e para as cidades”, mas fez a ressalva: “Mas não é o terrorismo de Estado que os Estados Unidos quer que seja” .
Contexto da Classificação
Em maio deste ano, o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, designou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como “organizações terroristas estrangeiras” . A decisão foi articulada, segundo relatos, após reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente americano .
O Itamaraty alertou, em documentos enviados ao Congresso, para o risco de “uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro” após a classificação, além de impactos à soberania nacional e possíveis sanções a empresas e bancos brasileiros .
Reações e Desdobramentos
A fala de Lula gerou repercussão imediata. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem explorado o tema em sua campanha, associando o presidente à defesa de criminosos. Durante comício em Porto Alegre, nesta quarta-feira (14), Flávio chamou Lula de “representante do PCC” .
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no entanto, já determinou a remoção de publicações de Flávio que associavam Lula às facções, por entender que as peças descontextualizavam falas do presidente .
Ainda durante a sabatina, Lula anunciou um pacote de endurecimento da política de segurança pública, que inclui o financiamento de 138 presídios para “asfixiar o crime” e evitar que facções continuem atuando dentro das cadeias .









Comentários