Ex-governador do Rio de Janeiro é alvo da Operação Sem Refino; empresário Ricardo Magro, dono da refinaria, teve prisão solicitada e pode entrar para a lista da Interpol

RIO DE JANEIRO — O ex-governador Cláudio Castro (PL) foi alvo, na manhã desta sexta-feira (15), da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. A ação investiga possíveis fraudes fiscais cometidas pela Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, considerada um dos maiores devedores de impostos do país.
Agentes da PF em carros descaracterizados e com auxílio de homens armados foram até a casa de Castro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. O ex-governador estava na residência e acompanhou as buscas com advogados. Após cerca de três horas, as equipes deixaram o local com malotes.
Mandados e alvos
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no RJ.
No total, agentes saíram para cumprir 17 mandados de busca e apreensão. Além de Cláudio Castro, também são alvos da operação:
- O desembargador afastado Guaraci Vianna;
- O ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual;
- O ex-procurador do estado Renan Saad.
O ministro Alexandre de Moraes também determinou sete medidas de afastamento de função pública. O empresário Ricardo Magro, dono da Refit, é alvo de um mandado de prisão. A PF solicitou a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol, a lista dos mais procurados do mundo.
O que diz a investigação
Segundo a PF, a ação investiga a suspeita de que a Refit utilizou sua estrutura societária e financeira “para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”.
O Grupo Refit já foi alvo de uma megaoperação em novembro de 2025. A Operação Poço de Lobato teve 190 alvos em cinco estados e buscava levantar informações sobre supostas fraudes fiscais. As autoridades estimavam um prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres públicos.
Apreensão de dinheiro
Na casa de um policial civil, a PF apreendeu cerca de meio milhão de reais em espécie. Ter dinheiro vivo em casa não é crime, mas é preciso explicar a origem dos valores.
Defesa de Cláudio Castro
Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que “foi surpreendida com a operação” e que Castro “está à disposição da Justiça para dar todas as explicações, convicto de sua lisura”.
“Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do estado”, diz a nota.
A defesa destacou ainda que a gestão Cláudio Castro conseguiu que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado em parcelas cujo montante se aproxima de R$ 1 bilhão. O parcelamento, no entanto, está suspenso por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O que diz a Refit
Em nota, a Refit negou as acusações e afirmou que “as operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por três grandes empresas já condenadas pelo Cade”.
A empresa disse ainda que “jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias” e que “nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado”.
Situação política de Castro
Atualmente, o Rio de Janeiro é governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. O vice-governador Thiago Pampolha também deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A situação ocorre em meio a uma crise institucional no estado, com vacância nos cargos de governador e vice-governador. Castro é pré-candidato ao Senado nas eleições de outubro.
O caso segue em investigação, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








Comentários