
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas caiu de altura de 40 metros; três instrutores foram presos por homicídio com dolo eventual
LIMEIRA (SP) — “Ela queria ser professora de Educação Física.” É assim que o professor Valdinei Barbosa prefere se lembrar de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, a jovem de 21 anos que morreu após ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros sem o equipamento de segurança durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.
Valdinei foi professor de Educação Física de Maria Eduarda na Escola Estadual Terezinha Polloni, em Jandira, na Grande São Paulo, e compareceu ao velório da ex-aluna neste domingo (14). Segundo ele, a jovem, conhecida pelos colegas como Duda, sonhava em seguir a mesma profissão.
“Ela sempre falava: ‘Professor, quando eu sair daqui vou ser professora de Educação Física’. E eu sempre incentivava, porque ela tinha perfil para isso”, contou.
Aluna dedicada
O professor lembra que Maria Eduarda era participativa, ajudava na organização de campeonatos escolares e exercia papel de liderança entre os colegas. “Ela vestia a camisa da escola. Quando tínhamos jogos interclasses, era uma das pessoas que mais ajudava a organizar tudo”, disse.
Segundo Valdinei, a ex-aluna já havia começado a construir a carreira que planejava. Ela trabalhava em uma academia na região de Jandira e havia compartilhado com ele a felicidade pelas oportunidades profissionais que estava conquistando.
“Ela me mandou mensagem dizendo que estava muito feliz trabalhando na área. Me agradeceu pelas aulas e falou da importância que elas tiveram na vida dela. Eu sempre via muito potencial nela”, afirmou.
Comoção
Ao saber da morte da ex-aluna pelas redes sociais, o professor disse ter ficado abalado. “Era uma menina muito boa, muito inteligente, muito ativa. Tinha todos os sonhos pela frente.”
Valdinei também criticou a falha que resultou na tragédia. “Não existe realizar um esporte radical sem verificar todos os equipamentos de segurança. Uma jovem de 21 anos perdeu a vida quando tinha muitos planos para realizar.”
O acidente
O momento da queda de Maria Eduarda foi registrado em vídeo por testemunhas que flagraram o momento em que a jovem foi empurrada da plataforma sem que a corda estivesse conectada ao seu corpo. A corda grossa que deveria segurar a queda ficou enrolada no chão da plataforma.

Ela caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Três homens foram presos em flagrante pela Polícia Civil.
Os presos
Foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar):
- Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos
- Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos
- Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos
Os homens usavam camisetas das marcas “Entre Cordas” e “Ih Voei” — nomes de grupos informais de praticantes, não havendo empresas oficiais por trás da operação. O grupo não tinha autorização para realizar saltos na região da Ponte do Esqueleto.
O que diz a defesa
O advogado de defesa afirmou que os três clientes são apaixonados pelo esporte, atuam há anos e nunca tiveram problemas. Ele classificou o caso como uma “triste fatalidade”.
Homenagem da academia
Maria Eduarda trabalhava na academia Panobianco Silverstone. Em nota, a unidade lamentou a morte da jovem.
“Maria Eduarda deixou sua marca por meio da dedicação, do carinho, da alegria e do respeito com que tratava todos ao seu redor. Sua presença iluminava os ambientes e sua lembrança permanecerá para sempre em nossos corações.”
Responsabilidade pelo local
A Ponte do Esqueleto é de responsabilidade do Governo Federal. A Prefeitura de Limeira informou que vai processar a União por omissão, alegando que já havia enviado ofícios aos órgãos federais cobrando medidas de segurança, manutenção e controle de acesso à área, que apresenta riscos conhecidos há anos, mas nenhuma providência foi tomada.
O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








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