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Documentos da DEA mostram que narcotraficante se uniu ao PCC e transportou cargas avaliadas em quase R$ 450 milhões; operação da PF aponta ligação com facção criminosa

SANTOS (SP) — O traficante espanhol Alejandro Salgado Vega, conhecido como “El Tigre”, um dos alvos da operação Narco Sky, deflagrada na terça-feira (2) pela Polícia Federal (PF), foi apontado nas investigações como um dos responsáveis por despachar dois carregamentos de cocaína, entre dezembro de 2020 e março de 2021, para a China. A droga saiu do Porto de Santos, no litoral sul de São Paulo, em um navio porta-contêineres com destino a Hong Kong.

Documentos da Drug Enforcement Administration (DEA), agência norte-americana de combate ao tráfico internacional, indicam que as duas cargas somadas estariam avaliadas em US$ 89,5 milhões — cerca de R$ 447 milhões na cotação atual.

Documentos brasileiros

El Tigre emitiu um CPF no Brasil, com origem no estado do Pará. O narcotraficante também registrou um endereço na Vila Regente Feijó, na região do Tatuapé, zona leste da capital paulista. O sérvio Antum Mrdeza, também conhecido como Nikolas Boro, outro alvo da operação, está em situação semelhante, com múltiplos endereços cadastrados em São Paulo.

A pedido da PF, a Justiça brasileira decretou a prisão preventiva de El Tigre e Nikolas Boro. Ambos são considerados foragidos e estão inclusos na lista de difusão vermelha da Interpol.

Ligação com o PCC

A PF descobriu ligações do narcotraficante espanhol e seus comparsas com um núcleo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Juntos, eles teriam montado uma frota de veleiros e pequenas embarcações para transportar cocaína à Europa.

O principal elo com o PCC é o empresário Marco Aurélio de Souza, o Lelinho, apontado como um braço da facção brasileira e preso em abril do ano passado no âmbito da operação Narco Vela. Lelinho é apontado como líder de um esquema que usava pequenas embarcações para transportar drogas até o outro lado do Oceano Atlântico.

Meia tonelada de cocaína em casco de navio

A relação comercial dos narcotraficantes internacionais com a maior facção criminosa do Brasil permitiu que o grupo conseguisse acoplar 425 quilos de cocaína no casco do MSC Desiree, um navio porta-contêiner sujeito à jurisdição dos Estados Unidos, com destino à China.

El Tigre e o comparsa sérvio podem ter lucrado quase meio bilhão de reais com este carregamento, conforme estimativa feita pela agência norte-americana.

Operação Narco Vela

A operação Narco Vela apontou que Lelinho é um dos principais articuladores da exportação de cocaína do PCC à Europa por meio de veleiros e pequenas lanchas. O traficante foi apontado pela PF como líder do esquema de transporte de drogas.

A partir de informações encontradas nos celulares dos alvos, a PF descobriu que ele e seus comparsas atuavam em conjunto com vários traficantes internacionais. A comunicação ocorria por meio do aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC.

Segundo a PF, Lelinho seria o responsável pelo envio de 2 toneladas de droga à Espanha em julho de 2022, além de uma série de outras operações. O crime foi descoberto pela Guarda Civil Espanhola na cidade de Aldea de San Nicolás.

Estrutura empresarial

A partir da quebra de sigilos telemáticos, foi possível identificar que o número usado na contratação da embarcação seria de uma empresa, a Jacksupply Assessoria de Bordo e Comércio Exterior. Segundo as investigações, a Jacksupply seria controlada por Lelinho por meio de um testa de ferro e teria como base operacional a Baixada Santista.

“Indícios robustos sugerem que o investigado, embora formalmente vinculado ao setor marítimo, utiliza-se dessa posição empresarial como meio de viabilizar e dissimular atividades ilícitas”, diz a Polícia Federal.

Os alvos da Operação Narco Sky

  • Antun Mrdeza (vulgo “Jhon Gotti” ou “Nikola Boro”): apontado como meganarcotraficante internacional, integra o núcleo estrangeiro de financiamento e direção das remessas. É proprietário de ativos logísticos (como o veleiro Mobydick) e de parte das cargas de cocaína.
  • Alejandro Salgado Vega (vulgo “El Tigre”): narcotraficante espanhol de alta relevância, responsável pela coordenação de grandes remessas para a Europa. Atua como financiador e coproprietário das drogas.
  • Marco Aurélio de Souza (vulgo “Lelinho” ou “Pirata”): líder e coordenador central no Brasil, atua como elo entre fornecedores estrangeiros e a estrutura local.
  • Pedro Alonso Camacho Fernandez (vulgo “Vince”): coordenador logístico transnacional, intermedia comunicação entre financiadores e executores.
  • Antônio Greg Ribeiro Pinheiro (vulgo “Fisherman”): operador logístico portuário, responsável pela inserção física da droga nas embarcações.
  • Klaus de Castro Rios Motta e Silva: responsável pela preparação e manutenção de embarcações usadas no tráfico transoceânico.
  • Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra (vulgo “Sapão” ou “Sapo”): atua no suporte operacional, cuidando da movimentação e custódia da droga.
  • Walter Pires Junior (vulgo “Waltinho”): integrante da base operacional vinculado a Lelinho.
  • Ivan de Freitas Santos (vulgo “Ivan”): agente de execução que presta apoio logístico.
  • Rafael Gonçalves Sayão (vulgo “Cabelinho”): participante ativo nas comunicações criptografadas do grupo.

O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

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