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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comanda, na manhã desta quinta-feira (8/1), um ato no Palácio do Planalto em memória dos três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A cerimônia acontece em um clima político delicado, marcado pela expectativa de veto ao Projeto de Lei da Dosimetria, que reduz penas de condenados por envolvimento na trama golpista.

Lula Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução Marcelo CamargoAgência Brasil

O evento será realizado às 10h, no Salão Nobre do Planalto, e deve reunir ministros, autoridades e representantes da sociedade civil. Diferente de outros anos, a solenidade não contará com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nem do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Até a véspera, o ministro do STF Edson Fachin também não havia confirmado participação, já que a Corte organizou uma programação própria para marcar a data.

Do lado de fora do Palácio, movimentos sociais e militantes petistas organizam um ato em defesa da democracia, com expectativa de cerca de 3 mil pessoas. Assim como em edições anteriores, Lula deve descer a rampa ao fim da cerimônia para cumprimentar apoiadores, que acompanharão o evento por um telão montado na Praça dos Três Poderes.

Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, além da defesa da democracia, o ato também deve abordar o cenário internacional, especialmente os recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela. “O centro do ato de 8 de janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8 de janeiro após a condenação e prisão dos envolvidos. Agora, é evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8 de Janeiro”, afirmou.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também relacionou a data à defesa da soberania regional. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela destacou a importância de relembrar o episódio em um momento de tensão internacional e declarou: “É muito importante ressaltar esses fatos neste momento em que a soberania em nosso continente volta a ser ameaçada como não se via desde os tempos da Guerra Fria. Nós sabemos muito bem quem defendeu e quem segue defendendo sinceramente a democracia junto do povo brasileiro.[…] Os que se dizem contra outras ditaduras em outros países, mas tentam implementar uma ditadura no Brasil”.

No centro das atenções está o PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso e alvo de forte pressão para ser vetado. A proposta altera critérios de cálculo de penas e pode beneficiar condenados pelos atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto prevê redução significativa das penas e facilita a progressão de regime, especialmente para quem não exerceu liderança ou financiamento direto.

Lula já sinalizou publicamente que pretende vetar o projeto, restando apenas definir se o veto será total ou parcial. O prazo final para a decisão é a próxima segunda-feira (12/1), mas aliados defendem que a assinatura ocorra ainda nesta quinta-feira, pelo peso simbólico da data. A medida, porém, pode gerar novos atritos entre Executivo e Legislativo, já que parlamentares favoráveis ao texto articulam a derrubada do veto.

De acordo com dados do Supremo Tribunal Federal, divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes, 810 pessoas já foram condenadas pelos atos do 8 de Janeiro. “Até o momento, já foram 810 condenações, sendo 395 pelos crimes mais graves e 415 pelos crimes mais leves, além de 14 absolvições”, informou o ministro. Desde janeiro de 2023, o STF abriu 1.734 ações penais relacionadas aos ataques, incluindo crimes de multidão, financiamento e incentivo ao golpe.

O ato desta quinta-feira, portanto, vai além da lembrança simbólica do episódio: representa também um marco político sobre os rumos da responsabilização dos envolvidos e a posição do governo frente às pressões do Congresso.

Mariana Pontes
Jornalista , diretora de tv, co- apresentora de rádio . paraense, sempre ligada em notícias, nos momentos de lazer fico ao lado da família.

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