0


A maior usina nuclear do mundo, localizada em Kashiwazaki-Kariwa, no Japão, já tem data definida para retomar parte das suas operações. Segundo a Tokyo Electric Power Company (TEPCO), responsável pela unidade, o primeiro reator deve ser religado no dia 20 de janeiro. A informação foi confirmada pelo presidente da empresa, Tomiaki Kobayakawa, em entrevista concedida nesta quarta-feira (24).

A usina nuclear de Kashiwazaki Kariwa da Tokyo Electric Power Company Foto REUTERSIssei Kato

A usina estava totalmente fechada desde 2011, quando um forte terremoto seguido de tsunami atingiu o país e provocou o desastre nuclear de Fukushima Daiichi, considerado o mais grave desde Chernobyl. Após quase 15 anos de paralisação e uma série de avaliações técnicas e políticas, as autoridades locais finalmente autorizaram o retorno gradual das atividades.

A liberação veio depois que a assembleia da província de Niigata aprovou um voto de confiança no governador Hideyo Hanazumi, que já havia manifestado apoio à retomada no mês anterior. A decisão foi vista como o último passo necessário para que a TEPCO pudesse avançar com o plano de reativação.

Apesar da aprovação, a medida não foi unânime. Antes da votação, cerca de 300 pessoas protestaram em frente ao prédio da assembleia. A maioria dos manifestantes, muitos deles idosos, exibiam cartazes com mensagens como “Não às armas nucleares”, “Nós nos opomos à retomada das operações em Kashiwazaki-Kariwa” e “Apoiem Fukushima”. Durante o ato, um manifestante questionou em voz alta: “A TEPCO está qualificada para administrar Kashiwazaki-Kariwa?”, enquanto a multidão respondia em coro: “Não!”.

Para tentar conquistar a confiança da população local, a TEPCO prometeu investir cerca de 100 bilhões de ienes — o equivalente a US$ 641 milhões — na região ao longo dos próximos dez anos. Mesmo assim, a resistência segue forte. Uma pesquisa divulgada pela prefeitura em outubro mostrou que 60% dos moradores acreditam que as condições de segurança ainda não são suficientes para a retomada, e quase 70% demonstram preocupação com a gestão da usina pela empresa.

Do ponto de vista do governo japonês, a reativação tem peso estratégico. A volta do primeiro reator pode aumentar em até 2% o fornecimento de energia para a região de Tóquio. A primeira-ministra Sanae Takaichi, que assumiu o cargo há dois meses, defende o fortalecimento da energia nuclear como forma de reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, que hoje respondem por 60% a 70% da geração elétrica do país.

Em 2024, o Japão gastou cerca de 10,7 trilhões de ienes com a importação de gás natural liquefeito e carvão, valor que representa aproximadamente um décimo de todas as importações do país. Além disso, o governo prevê aumento na demanda por energia nos próximos anos, impulsionado principalmente pela expansão de data centers voltados à inteligência artificial.

Para atender essa demanda e cumprir metas de descarbonização, o Japão pretende dobrar a participação da energia nuclear na matriz elétrica, chegando a 20% até 2040. Segundo Joshua Ngu, vice-presidente da consultoria Wood Mackenzie para a região Ásia-Pacífico, a aceitação pública da retomada de Kashiwazaki-Kariwa seria “um marco crucial” para alcançar esse objetivo.

Ainda assim, o trauma de Fukushima segue vivo. Entre os manifestantes estava Oga, vítima direta do acidente de 2011, que alertou sobre os riscos envolvidos. “Como vítima do acidente nuclear de Fukushima, desejo que ninguém, seja no Japão ou em qualquer outro lugar do mundo, jamais sofra novamente os danos causados por um acidente nuclear”, disse ela.

Desde o desastre, o Japão já reativou 14 dos 33 reatores que permanecem tecnicamente operacionais, em um esforço para equilibrar segurança, custo e demanda energética.

Texto feito e baseado com informações da Reuters.

Mariana Pontes
Jornalista , diretora de tv, co- apresentora de rádio . paraense, sempre ligada em notícias, nos momentos de lazer fico ao lado da família.

Você também pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Mundo